A fantástica economia das APIs

A fantástica economia das APIs

Como num Lego, várias aplicações podem ser incorporadas ao ecossistema digital para transformar os negócios

Por Stefanini Scala

 

A conectividade e a digitalização nos trouxeram uma série de comodidades, como pedir comida por aplicativo. O pagamento é processado por uma empresa de meios de pagamento, o restaurante aciona o motoboy, que provavelmente estará conectado a uma plataforma de serviço de entrega como iFood, Loggi, Rappi ou Uber Eats. Essa conexão entre todas as pontas só é possível por meio de APIs, sigla para Application Programming Interface.

Uma API é criada quando uma empresa tem a intenção de que usuários ou outros criadores de software utilizem ou desenvolvam produtos associados ao seu serviço.

UM SERVIÇO DENTRO DE OUTRO SERVIÇO

O Google Maps é um dos grandes exemplos na área de APIs. Já observou que ele aparece sempre que você clica na página de um hotel ou do Airbnb? Assim, fica mais fácil saber a localização e como chegar aos principais pontos de interesse, antes de realizar a reserva para sua viagem de férias. Funciona como um serviço dentro do outro, que beneficia a todos.

Exemplos práticos como esses mostram que vivemos na era da API Economy, que nada mais é do que monetizar funcionalidades e microsserviços que se tornaram necessários no processo de transformação digital.

Conforme a digitalização foi acontecendo, várias empresas decidiram focar em seu core business e investir, por meio de parceiros, no desenvolvimento de microoperações que atuam de maneira autônoma. É como um mosaico de funcionalidades, cada uma para uma necessidade específica, com o objetivo de oferecer uma melhor experiência ao cliente.

 

 

Como a nova economia preza pelo melhor uso da tecnologia para transformar o modelo de negócios, as APIs vieram para “plugar” novos serviços que fazem sentido para os clientes, tornando-se o grande motor da transformação digital.

Como num Lego, várias aplicações de terceiros – muitas desenvolvidas por startups - podem ser incorporadas para que o consumidor escolha a experiência que quiser. Isso mostra que softwares isolados podem se integrar a soluções customizadas para melhor atender o cliente, além de reduzir custos.

GRANDE OPORTUNIDADE

Hoje, o grande diferencial não é a técnica utilizada na construção de um produto ou serviço, mas a ideia capaz de transformar uma necessidade ou um problema numa grande oportunidade. No segmento financeiro, existe um grande movimento para integrar novas funcionalidades a plataformas digitais. A partir da implementação do Open Banking, os titulares das contas correntes podem escolher com quem desejam compartilhar as suas informações.

Por meio das APIs, as fintechs e empresas de tecnologia podem criar uma variedade de serviços financeiros que não estão contemplados no portfólio de produtos dos bancos tradicionais. E, assim, sem perder o "time to market”, as startups se aliam às instituições financeiras para oferecer uma experiência diferenciada ao cliente.

Com a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), prevista para agosto deste ano, e com a evolução de novas tecnologias para troca segura de informações, como o Blockchain, a tendência é que a API Economy ganhe um forte impulso, estimulando que negócios tradicionais abram suas aplicações e se conectem a outras para criação de novos serviços, que poderão ser oferecidos em qualquer dispositivo móvel, wearables, carros ou geladeiras.

API FIRST

Segundo estudo do IDC, até 2021, 70% dos CIOs fornecerão conectividade ágil por meio de APIs, impulsionados pelas necessidades das áreas de negócio. Em 2023, serão desenvolvidos e implantados mais de 15 milhões de aplicações e serviços digitais em nuvem na América Latina.

Já a McKinsey prevê a geração de US$ 1 trilhão através da redistribuição de receitas de setores para ecossistemas, o que torna a API Economy estratégica para transformar um negócio ou organização em uma plataforma.

Se até pouco tempo o que mais se ouvia entre os desenvolvedores era Mobile First, agora o termo da vez é API First, ou seja, a aplicação precisa se comunicar com outros sistemas, independentemente da plataforma ou da linguagem.

Como diz Cesar Taurion, Head Digital Transformation of Kick Ventures e Founder GHubee: “Estamos vendo a junção de uma sociedade data-driven, onde os dados ocultos hoje são revelados e nos mostram correlações surpreendentes, que modificam nossa maneira de ver o mundo.  Precisamos criar aplicações modernas que reflitam este novo olhar sobre a tecnologia”.

Douglas Katoch
Technical Sales Manager